
Era final de tarde na Chácara Luz da Lua. O sol estava ficando bem laranjado, quase escondido atrás dos morros, quando Helena percebeu algo estranho.
O Tedi, que geralmente estava correndo atrás das galinhas ou tirando um cochilo na varanda, estava parado na beira da cerca, com as orelhas bem em pé. Ele não latia. Ele apenas olhava para a mata, muito sério.
— O que foi, Tedi? — Helena perguntou, aproximando-se devagar.
De repente, veio um som de dentro das árvores.
*Plic... ploc... plic...*
Parecia alguém batendo duas madeiras uma na outra. Mas era um som ritmado, como se alguém estivesse brincando.
— É o mistério do barulho! — Helena sussurrou para o Tedi. — Vamos investigar?

Helena pegou sua lanterninha de brinquedo (mesmo que ainda não estivesse escuro, uma investigadora precisa estar preparada!) e os dois passaram pela porteira.
Eles caminharam devagar sobre as folhas secas. O som parava... e depois recomeçava em outro lugar.
*Plic... ploc... plic...*
Desta vez, parecia vir de perto de um pé de Guavira, aquela frutinha doce que Helena adorava colher no campo.
Quando chegaram perto da árvore, não havia ninguém. Mas, no chão, Helena encontrou algo curioso: uma coleção de cinco pedrinhas bem redondas, arrumadas em um círculo perfeito.
— Tedi, olha! São as pedrinhas do "Cinco Marias"! — Helena exclamou.
Ela conhecia aquele jogo. Vovô tinha ensinado: você joga uma para o alto e tenta pegar as outras antes da primeira cair. Mas quem teria deixado as pedrinhas ali, no meio do nada?

De repente, um assobio baixo e longo ecoou pela mata. Não era um assobio de gente, era um assobio que parecia o vento, mas muito afinado.
*Fi-fiiiiiiiiii...*
— Saci? — Helena perguntou, lembrando das histórias que ouvia. — É você, Saci?
O Tedi deu um latido curto e correu em direção a um arbusto de flores amarelas. Helena foi atrás, o coração batendo um pouquinho mais rápido, mas cheia de coragem.

Ao chegar no arbusto, ela viu algo balançando. Não era o Saci. Era um brinquedo preso em um galho: um pião de madeira, com uma corda enrolada. O pião estava girando sozinho no chão, como se alguém tivesse acabado de lançá-lo com muita força.
— Mas quem jogou o pião? — Helena olhou em volta.
Foi então que ela reparou em pequenas pegadas na terra úmida perto do pião. Eram pegadas de um pé só! E, logo à frente, o que parecia ser uma trilha de redemoinhos nas folhas secas.
Helena seguiu os redemoinhos até uma clareira onde o sol batia por último. Lá, ela encontrou a resposta para o mistério.
Não era o Saci aprontando. No meio da clareira, havia uma família de Quatis brincando. Um deles, o menorzinho, estava equilibrado em cima de um tronco caído, batendo duas sementes grandes de Jatobá uma na outra.
*Plic... ploc... plic...*
— Ahá! Então eram vocês os músicos da mata! — Helena riu alto.
Os Quatis, ao verem Helena e o Tedi, deram um pulo e sumiram rapidinho entre os arbustos, deixando para trás o som da floresta voltando ao normal.
Helena pegou o pião de madeira e as pedrinhas de Cinco Marias que tinha encontrado pelo caminho. Ela percebeu que a mata da Chácara Luz da Lua era cheia de segredos e que, às vezes, o vento e os animais parecem brincar com a gente.
— Mistério resolvido, Tedi! — Helena disse, fazendo um carinho na orelha do seu cachorro. — Vamos levar o pião para o vovô nos ensinar a girar de verdade amanhã.
Eles voltaram para a casa da Chácara Luz da Lua bem na hora em que as primeiras estrelas apareciam no céu do Mato Grosso do Sul. Helena entrou sorrindo, guardando no bolso as pedrinhas do Cinco Marias, pronta para contar sua aventura de detetive.
Fim. 🕵️♀️🐾🌙