Na Chácara Luz da Lua, Helena recebeu uma tarefa muito importante do vovô Mau Mau: cuidar dos brinquedos enquanto ele preparava um lanche de guavira.
— Pode deixar, vovô! Vou cuidar deles como uma guarda de castelo!
Helena colocou a peteca, o pião e algumas bolinhas de gude sobre uma toalha, debaixo de um pé de ipê. Tedi ficou sentado ao lado, com a língua de fora e cara de quem entendia tudo.
— Tedi, você é o ajudante oficial. Não deixe nada fugir.
Tedi latiu: “Au!”
Parecia um excelente plano. Mas, assim que Helena pegou o pião, ele escorregou de sua mão, bateu numa pedrinha e começou a rodar.
Rodou devagarinho.
Rodou mais depressa.
Rodou tão depressa que fez: “Fruuuum!”
E saiu pelo terreiro!
— Tedi, o pião fugiu!
Tedi correu atrás dele. Helena correu atrás de Tedi. E o pião correu atrás de ninguém, porque pião não tem pernas — mas naquele dia parecia ter muitas!
Ele passou pelo galinheiro, assustou uma galinha, deu uma voltinha em torno do cocho e entrou no caminho do banhado. Tedi tentou segurá-lo com a pata, mas o pião desviou e fez o cachorro girar no lugar.
— Tedi! Você virou um pião também!
O cachorro parou, ficou tonto e sentou dentro de um balde vazio. O balde escorregou e saiu rolando pelo quintal com Tedi dentro.
— Au-au-au-au!
Helena ria tanto que precisou se apoiar na cerca.
No caminho, o pião passou por baixo de um arbusto de aroeira e assustou um quati, que levantou o focinho e saiu correndo com uma espiga de milho na boca. Depois, o pião entrou no taquaral, onde fez um barulhão:
— Truuum, truuum, truuum!
— Será que o Minhocão do Rio Barreiro acordou? — perguntou Helena, fazendo uma voz misteriosa.
Tedi saiu do balde e se escondeu atrás dela. Só apareciam suas orelhas.
Helena espiou o taquaral. De repente, algo comprido se mexeu entre as folhas.
— É o Minhocão!
Tedi latiu.
Helena deu um passo para trás.
O objeto comprido apareceu, balançando, balançando... e caiu no chão.
Não era o Minhocão. Era uma velha mangueira de jardim, enrolada como uma minhoca gigante!
Tedi cheirou a mangueira, espirrou três vezes e ficou olhando para Helena como quem dizia: “Esse monstro não tem cheiro de monstro. Tem cheiro de água velha.”
— Muito bem, detetive Tedi! Mistério resolvido!
Mas o pião continuava girando. Ele saiu do taquaral, desceu uma pequena ladeira e foi parar bem perto do Rio Barreiro, onde a água brilhava entre as pedras. Helena correu e teve uma ideia.
— Peteca, prepare-se para a missão!
Ela pegou a peteca e a lançou bem na frente do pião. O pião bateu de leve na base da peteca, perdeu a velocidade e caiu fazendo “ploc!” na terra.
Tedi correu, pegou o pião com cuidado e voltou carregando-o na boca. Só que ele também trouxe uma folha de ipê presa no bigode.
— Tedi, você está elegante! Parece um cachorro de bigode amarelo!
O cachorro tentou fazer pose. Nesse momento, a folha caiu em seu nariz. Tedi espirrou, o pião voou da boca e começou a girar de novo.
— Ah, não! De novo, não!
Helena, Tedi e o pião voltaram correndo para o terreiro. O vovô Mau Mau estava esperando com o lanche pronto.
— Que aventura foi essa? — perguntou ele.
— O pião quis conhecer o banhado, o quati roubou milho, o Minhocão era uma mangueira e o Tedi virou um cachorro-pião!
Vovô Mau Mau gargalhou. Depois amarrou um barbante no pião e ensinou Helena a fazê-lo rodar dentro de um círculo desenhado no chão.
— Assim ele se diverte sem fugir.
Helena bateu palmas, Tedi deitou ao lado do círculo e a peteca ficou bem guardada.
Mas, quando ninguém estava olhando, Tedi colocou uma pata dentro do círculo e o pião rodou em volta dela.
— Tedi! Você ainda quer ser um pião?
O cachorro abanou o rabo.
E, naquele dia, nasceu na Chácara Luz da Lua a brincadeira mais engraçada de todas: o “Pião-Cachorro do Pantanal”. Só não podia brincar depois do lanche, porque Tedi sempre ficava tonto… e acabava dormindo de barriga para cima, roncando como um tratorzinho.
Fim! 🌟🐶