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Conto da Helena — Fantasia

✨ Helena e a Porta Secreta do Cerrado

🎙️ Ouvir a narração do vovô Mau Mau

Uma narração calorosa, com a voz do vovô Mau Mau.

Helena e Tedi encontram uma porta roxa entre as árvores
Helena e Tedi encontram a porta roxa no Cerrado.

Na Chácara Luz da Lua, quando o sol se despede de laranja e o céu começa a encher de estrelas, diz a lenda que uma porta aparece no meio do cerrado — só quem tem coração curioso consegue vê-la.

Helena estava sentada na varanda, balançando os pés, quando o Tedi farejou o ar de um jeito diferente. Ele olhou para o mato, olhou para Helena, e saiu correndo.

No meio das árvores retorcidas e das flores amarelas do ipê-do-cerrado, havia uma porta pequena, de madeira roxa, com um puxador de pedra. Pendurada nela, uma corda de sisal com um bilhete:

*"Quem bater três vezes e fizer um giro de pião, pode entrar."*

Helena não pensou duas vezes. Ela bateu: *toc, toc, toc.* E girou como um pião — igual ensinava a vovó quando brincavam no terreiro.

A porta se abriu com um suspiro de vento morno.

Helena e Tedi no campo dos vagalumes mágicos
O campo encantado dos vagalumes.

Do outro lado, havia um campo infinito iluminado por vagalumes que falavam. Um deles pousou no nariz do Tedi e disse com uma voz fina como agulha:

Helena abriu os olhos. Conhecia a Iara das histórias do vovô — uma guardiã das águas, linda e gentil, que cuidava dos rios de Mato Grosso do Sul.

O Tedi latiu corajoso, e Helena segurou sua patinha.

Helena equilibra uma bolinha de gude na anta guardiã
O desafio da anta dos óculos de folhas.

O primeiro Guardião era uma anta enorme com óculos de folha.

Helena sabia jogar gude! O vovô havia ensinado. Com cuidado, ela pegou a bolinha de vidro colorido e, delicadamente, equilibrou-a na orelha da anta.

*Um, dois, três... dez!*

Helena canta para o veado-campeiro guardião
O veado-campeiro fala em rima.

O segundo Guardião era um veado-campeiro que falava em rima.

Helena pensou rápido. Ela começou a cantar:

O veado bateu os cascos no chão animado.

Helena conversa com a coruja guardiã na aroeira
A pergunta da coruja sábia.

O terceiro Guardião era uma coruja velha, sentada num galho de aroeira.

Helena coçou a cabeça. Ouro? Diamante? Ela olhou para o Tedi, olhou para os vagalumes, olhou para o céu cheio de estrelas — e sorriu.

A coruja fechou os olhos com satisfação.

Helena e Tedi encontram Iara junto ao rio encantado
Iara das Águas Claras e o rio encantado.

Finalmente, chegaram à beira do rio encantado. Sentada numa pedra, com os pés na água, estava a Iara — cabelos longos e negros, olhos verdes como folha molhada, e uma expressão triste.

A Iara olhou surpresa.

Iara sorriu de lado.

E apontou para o pescoço do Tedi.

Lá estava: enrolada no pelo da garganta dele, uma pulseira fina de sementes coloridas — tucumã, buriti, e carandá — que o Tedi havia encontrado na Chácara Luz da Lua sem perceber.

Tedi abaixou a cabeça envergonhado. Helena tirou a pulseira com cuidado e entregou à Iara.

No mesmo instante, o rio brilhou. Os peixes saltaram. Os vagalumes dançaram em espiral.

O Tedi abanou o rabo tão forte que quase caiu na água.

Pirilampo voltou a pousar no nariz de Helena.

Helena acenou para a Iara, pegou o Tedi no colo, e correu de volta pela porta roxa.

Helena e Tedi sob a lua na Chácara Luz da Lua
O retorno à Chácara Luz da Lua.

Quando ela pisou de volta na Chácara Luz da Lua, a porta sumiu entre as folhas. Lá no céu, uma estrela riscou o escuro com uma cauda de luz.

Helena se deitou na grama, com o Tedi quentinho ao lado, e sussurrou:

E lá de longe, do fundo das águas do Pantanal, veio um brilho suave, como resposta.

Fim. ✨🌙🐾

✨ Fim ✨