🕵️ Mistério
Uma investigação na Chácara Luz da Lua
Era manhã na Chácara Luz da Lua e Helena acordou com uma missão: ia montar o jogo das tampinhas coloridas que o vovô Mau Mau tinha trazido na semana passada.
Sete caixinhas pretas, cada uma com tampinhas de uma cor diferente — verde, azul, amarelo, laranja, roxo, vermelho e branco.
Mas quando Helena abriu o armário da sala... só havia seis caixinhas!
— Vovô! Faltou a caixinha branca!
O vovô Mau Mau coçou a cabeça.
— Bolas de gude eu perdi na minha época. Mas a caixinha preta com tampinhas brancas não pode sumir assim não...
— Vovô — disse Helena, levantando o dedo —, o senhor está perdoado. Eu vou descobrir.
Tedi farejou o armário, farejou o chão, farejou a ponta do tapete e latiu uma vez só na direção da varanda. Helena foi atrás.
Lá na varanda, entre as mudas de plantas que o vovô tinha colocado na parede, encontrou a primeira pista: uma tampinha branca.
🔍 Pista 1 — uma tampinha branca na varanda!
Tedi abanou o rabo e foi para o quintal. Helena foi atrás. Lá no capim, pertinho do pé de goiabeira, tinha outra tampinha branca.
— Outra! Quem será que está pegando as tampinhas e deixando pelo caminho?
Helena e Tedi seguiram a trilha. Mais uma tampinha perto da cerca, outra perto do poleiro das galinhas, outra perto da bomba d'água...
⚪ cerca → ⚪ poleiro → ⚪ bomba d'água → ⚪ curral!
...até chegarem ao curral.
E lá, bem no meio do curral, tinha um rastro diferente: pegadinhas pequenas, fininhas, com um dedão comprido do lado.
— Vovô! Vem ver isso! São pegadas!
O vovô chegou com o chapéu na mão, abaixou-se, olhou, e riu baixinho.
— Helena, detetive... isso aí é rastro de tatu-canastra.
— Tatuuquê?
— Tatu-canastra. Bicho grande, casco pesado, gosta de cavar a terra à noite. Dizem que ele é um bicho antigo do Pantanal, carrega o mundo nas costas, dizem...
Helena arregalou os olhos.
— A gente acha que foi ele que pegou a caixinha?
— Bicho não rouba caixinha. Mas se ele passou por aqui, a gente pode seguir.
Tedi farejou as pegadas e seguiu até um buraco cavado atrás do curral. Era fundo e tinha marcas de unhas grandes na terra. Ao lado do buraco — a caixinha preta, intacta, com as tampinhas brancas todas bagunçadas por dentro.
Helena ajeitou as tampinhas, fechou a caixinha e olhou para o buraco.
— O tatu-canastra cavou esse buraco e a caixinha caiu dentro. Aí ele seguiu caminho. Não foi roubo, não, vovô! Foi só atrapalhado!
O vovô gargalhou.
— Deveras detetive! Você descobriu o culpado e ainda inocentou ele.
Helena abraçou a caixinha preta e o Tedi latiu duas vezes — o que, todo mundo sabe, significa "Caso encerrado!"
Naquela noite, Helena dormiu com a caixinha branca do lado da cama e sonhou com um tatu-canastra gigante, casco brilhando como armadura, caminhando devagar pelo Pantanal — protegendo os tesouros pequenos que a noite esconde.
🌙 Chácara Luz da Lua · Projeto Contos da Helena