Na Chácara Luz da Lua, a manhã começou diferente. Helena acordou com um barulho estranho vindo do curral: *muuuuuu... muuuu...*
Ela pulou da cama, calçou as sandálias e saiu correndo, com o Tedi latindo animado ao lado.
— Vovô! O que foi isso?
O vovô estava no curral, segurando a barriga de tanto rir.
— Helena, vem ver! O Tedi está tentando arrebanhar as vacas!
Helena olhou e não acreditou. O Tedi — um cachorro baixinho, meio atrapalhado, que tropeçava no próprio tapete — estava na frente de uma vaca, latindo e pulando de um lado para o outro, tentando imitar um cão de pastoreio.
Só que ele não sabia o que estava fazendo.
Ele corria para a direita, a vaca ia para a esquerda. Ele corria para a esquerda, a vaca ia para a direita. Ele dava um pulo, a vaca olhava para ele como quem diz: "Tá bêbado, amigo?"
— Tedi, você não é vaqueiro! — Helena gritou, rindo.
Mas o Tedi estava levando a sério. Muito sério. Ele parou, arfou, e teve uma ideia canina: *se eu não consigo na frente, vou por trás!*
Ele deu a volta, passou por baixo da cerca — *pluft* — e saiu correndo atrás da vaca, que se assustou e começou a correr também. Só que a vaca era maior, mais rápida e mais esperta.
Ela deu meia-volta e o Tedi, que vinha em disparada, não conseguiu frear.
*BUMP!*
Ele bateu com a cabeça no traseiro da vaca, deu um gritinho sem graça e saiu rodando que nem pião, caindo sentado numa poça de lama.
*SQUISH.*
Helena e o vovô caíram na gargalhada. Até as galinhas pararam para olhar.
— Coitado do Tedi! — Helena disse, limpando as lágrimas de tanto rir. — Vovô, acho que ele precisa de uma aula de vaquejada.
O vovô coçou a barba e falou:
— Sabe o que os antados vaqueiros do Pantanal faziam? Eles treinavam com a **peteca**.
— Peteca? — Helena arregalou os olhos. — Aquela bolinha de penas?
— Isso mesmo! — o vovô foi até o galpão e voltou com uma peteca colorida, feita de palha e penas de galinha. — Os vaqueiros brincavam de peteca para treinar o reflexo e a coordenação. E, com um pouco de sorte, a gente ensina o Tedi a não bater em vaca!
Helena pegou a peteca e deu uma batidinha para cima.
— Vem, Tedi! Vamos treinar!
O Tedi, ainda todo sujo de lama, olhou para a peteca e... *TCHIBUM!* — pulou de boca aberta, tentando morder as penas. Só que ele pulou alto demais, virou no ar e caiu de barriga para cima com a peteca equilibrada no focinho.
— AGORA ELE É UM CACHORRO CIRCO! — Helena gritou, quase sem ar de tanto rir.
O vovô aplaudiu:
— Esse Tedi é um artista!
E, então, o Tedi fez a melhor parte: ele ficou ali, deitado de barriga para cima, com a peteca no focinho, abanando o rabo todo orgulhoso, como se tivesse feito a maior proeza do mundo.
— Tá bom, Tedi — Helena disse, abaixando-se para fazer carinho. — Você não é vaqueiro nem palhaço. Você é o melhor cachorro do mundo, do jeito que você é.
O Tedi latiu feliz, a peteca caiu no chão, e ele saiu correndo atrás dela — e, de novo, bateu no traseiro da vaca.
Mas, dessa vez, ele deu uma lambida na vaca como pedido de desculpa.
A vaca mugiu baixinho, como quem diz: "Tudo bem, amigo. Amanhã você tenta de novo."
Naquela noite, Helena tomou banho, comeu um pedaço de bolo de milho que a vovó fez e foi para a cama pensando: "O Tedi pode não ser o melhor vaqueiro, mas ele é o melhor amigo que alguém pode ter."
E, antes de dormir, ela cochichou:
— Tedi, amanhã a gente tenta de novo. Mas, dessa vez, sem lama, combinado?
O Tedi abanou o rabo. E, no dia seguinte, ele acordou e foi direto para o curral — com a peteca na boca, pronto para mais uma aula.
Fim. 😂🐾🌙